PESQUISA DO CENTRO

N-acetilcisteína melhora os níveis de estresse oxidativo em plantas com HLB
Uma das hipóteses para o efeito do HLB nas plantas cítricas recai sobre os prejuízos às organelas (cloroplasto e mitocôndrias) em função de proteínas efetoras ejetadas pela bactéria do HLB (Candidatus Liberibacter asiaticus – CLas). Essas proteínas efetoras “manipulam” a fisiologia das plantas alterando a produção de ATP e consequentemente perturbam a homeostase redox da célula. Outras características na sintomatologia do HLB recaem no grande acúmulo de amido no cloroplasto e no aumento excessivo de peróxido de hidrogênio (H2O2), levando a clorose e a morte celular. É de conhecimento de longa data que enzimas antioxidantes como ascorbato peroxidase, glutationa, superóxido dismutase e catalase mantêm a homeostase redox na célula. Assim, está sendo testado a hipótese que moléculas com características antioxidantes como o N-acetilcisteína (NAC) podem reestabelecer o estado redox em células de plantas cítricas infectadas com CLas e atenuar os sintomas de HLB. Mudas de laranja Valência / Cravo infectadas com CLas receberam a aplicação de NAC via solo (2x) e foliar (6x). Níveis de H2O2, de atividade enzimática de ascorbato peroxidase (APX) e expressão de genes a nível cloroplastidial de APXchl e glutathione peroxidase (GPXchl) foram estimados. Em geral, nas plantas infectadas e tratadas com NAC houve uma redução de 38% no nível de H2O2 quando comparado às plantas sem NAC, ocorrendo também um aumento de 2,33 vezes na atividade da enzima APX. No cloroplasto, nas plantas infectadas com CLas e tratadas com NAC houve um leve aumento (1,32x) na expressão do gene que codifica a APXchl e de 2,34x no gene que codifica para a GPXchl, quando comparada às plantas não tratadas. Embora estes resultados demonstrem um decréscimo no estresse oxidativo nas plantas doentes quando submetidas aos tratamentos com NAC, inclusive no cloroplasto, não foram observados efeitos em termos de redução ou inibição de sintomas de HLB nas folhas. Efeitos antibacterianos do NAC sobre a bactéria do HLB não foram observados, contrário aos resultados obtidos com as bactérias da CVC (Xylella fastidiosa) e do Cancro Cítrico (Xanthomonas citri). Estes estudos estão sendo continuados visando esclarecer melhor os benefícios proporcionados pelo NAC em plantas com HLB proporcionando ambientes celulares com homeostase redox mais reguladas.

Henrique Bergamo, mestrando, Alessandra A. Souza e Helvécio Della Coletta Filho, pesquisadores

Comentários