PESQUISA DO CENTRO

Produção de frutos em laranjeiras com CVC sob o tratamento com NAC

Os resultados anteriores de pesquisa com o uso de do N-acetil cisteína (NAC) em plantas com sintomas de clorose variegada dos citros (CVC ou ‘amarelinho’), em casa-de-vegetação, divulgados em revista cientifica (PLoS ONE 8(8):e72937) mostraram redução na taxa de colonização da bactéria Xylella fastidiosa dentro das plantas e remissão dos sintomas foliares. Aqui iremos mostrar resultados de experimentos em campo, usando como parâmetro de avaliação a produção de frutos por planta (kg de frutos/planta). Parâmetros como concentração bacteriana ou sintomatologia foliar são sujeitos a variações não controladas, portanto difíceis de serem avaliados sob condições de campo. O NAC incorporado ao fertilizante húmico FH (NAC-FH) foi aplicado via solo (1,5 kg do produto/planta) em plantas com diferentes níveis de severidade de CVC, incluindo frutos de tamanho reduzido. As plantas tratadas foram comparadas àquelas que receberam os tratamentos somente com FH e com as plantas testemunha, onde foi aplicado somente o manejo adotado na produção regular. Os experimentos foram conduzidos em 2014/2015 e 2018/2019 em dois pomares na região Central do estado de São Paulo, sendo o primeiro de laranjeira Valencia/limão Cravo, com 14 anos de idade e alta severidade de CVC (Exp. I) e o segundo de Pera/tangerina Sunki, com 13 anos, com severidade variável da doença (Exp. II), sendo este experimento conduzido em parceria com a CiaCamp. Para ambas as condições experimentais, em geral, observou-se um aumento na produção média de frutos por planta para os tratamentos que receberam NAC, comparado aqueles que receberam somente FH ou testemunha. Admitindo-se um número médio de 400 plantas/ha e onde todas as plantas estariam com CVC, a adição do NAC proporcionou um aumento de 29 a 32 caixas de frutos/ha comparado ao tratamento suplementado com fertilizando húmico e de 95 a 130 cx/ha comparado ao tratamento testemunha. Dados das plantas assintomáticas tratadas com NAC também mostraram aumentos na produção por área: média de 59 cx/ha comparado ao tratamento com fertilizante húmico e de 150 cx/ha comparado ao tratamento testemunha. Em sendo o NAC um análogo ao aminoácido cisteína, esta molécula estaria atuando tanto desfazendo as pontes dissulfeto de proteínas da bactéria patogênica quanto provisionando propriedades antioxidante à planta, propiciando melhores respostas a estresses bióticos e abióticos.

Helvécio Della Coletta Filho

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