PESQUISA DO CENTRO

Híbridos apresentam maiores conteúdos de carotenoides totais e β-criptoxantina

As características fenotípicas, assim como a relação entre o acúmulo de carotenóides e a expressão gênica durante o amadurecimento, foram determinadas em frutos de cinco novos híbridos (números 44, 88, 281, 294 e 372) obtidos do cruzamento entre tangor Murcott e laranja Pera.
Os genótipos foram classificados em dois grupos: híbridos com frutos semelhantes aos de laranja (números 44 e 294), por apresentarem frutos com formato arredondado, polpa e casca com coloração amarelada e acúmulo preferencial do carotenoide chamado cis-violaxantina na polpa (semelhante ao observado em frutos de laranja) e híbridos com frutos semelhantes aos de tangerina (números 281 e 372), que produziam frutos com formato achatado, coloração laranja-escura de casca e polpa, assim como acumulavam preferencialmente o carotenoide chamado β-criptoxantina na polpa (como nas tangerinas). Também foi observado que o híbrido 88 apresentava características intermediárias às dos genitores.
A diversidade na composição de carotenoides presentes na polpa de frutos de híbridos e de genitores foi explicada principalmente pelos padrões de expressão de genes da via biossintética dos carotenoides. Os resultados demonstraram que o grande acúmulo de carotenoides totais e β-criptoxantina estava associado às maiores expressões dos genes situados no início da via (GGPPS1, PSY e PDS), enquanto que as baixas expressões destes mesmos genes estavam associadas às maiores expressões de genes situados no final da via (BCHX e ZEP), o que resultava em fenótipo contrário: baixa acumulação de carotenoides totais e β-criptoxantina na polpa.
Como resultado de maior valor prático, observou-se que o cruzamento entre tangor e laranja resultou em híbridos com teores mais elevados de carotenoides que os dos genitores: até 426 µg/g de carotenoides totais (peso seco), em comparação com os valores entre 158-250 µg/g de carotenoides totais (peso seco) nos genitores, o que foi atribuído à segregação transgressiva. Esses resultados têm grande impacto na qualidade comercial dos frutos e potenciais benefícios à saúde, como é o caso do conteúdo de pró-vitamina A.

Fonte: Petry et al., 2019 https://doi.org/10.1016/j.foodres.2019.04.035
Rodrigo Rocha Latado

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