PESQUISA DO CENTRO

Estudo de genes envolvidos na detoxificação de compostos exógenos pelo ácaro da leprose

Dentre os ácaros encontrados nos pomares, o gênero Brevipalpus é preocupante devido à capacidade de inocular vírus para citros e outras culturas também economicamente importantes, como café, maracujá, orquídeas e outras ornamentais. Brevipalpus yothersi é a espécie prevalente e o principal vetor do vírus da leprose, o citrus leprosis virus C (CiLV-C). A leprose representa uma relação atípica vírus-vetor, não sendo uma doença sistêmica, ou seja, o vírus não circula pelos vasos condutores das plantas de citros. Por assim ser, os sintomas aparecem nos locais de alimentação do ácaro, formando lesões cloróticas e/ou necróticas nos frutos, ramos e folhas, culminando em estágios avançados com a morte das plantas. O controle da leprose ainda é focado no ácaro, primariamente através do uso de acaricidas. Porém, com avanços no conhecimento do patossistema leprose, a prioridade é buscar estratégias sustentáveis para o manejo destes ácaros. Nesse sentido, o Centro de Citricultura, em parceria com outras instituições, tem investido em estudos do genoma (conjunto total de genes) e do transcriptoma (genes transcritos/expressos) de B. yothersi. As pesquisas almejam informações sobre genética básica funcional do ácaro relacionada aos processos de adaptação às diferentes plantas hospedeiras, interação com o vírus CiLV e com as espécies de citros, resistência e atuação dos genes frente aos produtos químicos. Como resultado, categorias de genes de interesse diferencialmente expressos (GDE) foram identificados em resposta ao CiLV-C, a exemplo dos genes da família citocromo P450 (CYP450). Estes genes codificam uma superfamília de enzimas com funções essenciais como a detoxificação de compostos exógenos (sejam eles compostos químicos ou secundários da planta) e, por isso, muito estudados para compreender o metabolismo destes xenobióticos em artrópodes. Nesta classe de genes, a expectativa é validar a expressão deles em populações do ácaro, em resposta à diferentes plantas hospedeiras, desvendando os possíveis mecanismos moleculares envolvidos na intrínseca interação vírus-vetor-hospedeiro. Outros genes estão sendo também buscados e, os resultados somados, certamente trarão avanços para a pesquisa com a leprose dos citros.

Valdenice Moreira Novelli

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