PESQUISA DO CENTRO

Ocorrência de células persistentes em bactérias fitopatogênicas

Altas temperaturas, dessecação, raios UV e falta de nutrientes são apenas alguns dos estresses aos quais bactérias são submetidas no ambiente. Uma estratégia comumente utilizada por microrganismos é entrar em um estado de “dormência”, também conhecido como estado de “persistência”. Nessa condição, as células acabam ficando mais resistentes a estresses em geral, incluindo compostos antimicrobianos, e, assim, podem sobreviver por mais tempo no ambiente, até que encontrem situações favoráveis e voltem a recolonizar a planta hospedeira. Os estudos genéticos sobre este estado em fitopatógenos são escassos, mas já apontam para a sua enorme relevância aos ciclos de vida destes organismos. Por exemplo, Erwinia amylovora, patógeno causador da queima bacteriana que acomete macieiras, é capaz de sobreviver a exposições prolongadas ao cloro, devido à entrada em estado de persistência. Porém, após retirada do agente antibacteriano, as bactérias “despertam” quando são colocadas em contato com a planta hospedeira, provocando a doença. Na citricultura, compostos cúpricos são utilizados no controle de doenças bacterianas, como Xanthomonas citri, causadora do cancro cítrico. Embora haja indícios da formação de células persistentes na bactéria, estudos mais aprofundados estão em curso pelo grupo da Pesquisadora Alessandra Alves de Souza, visando determinar os mecanismos genéticos que atuam no processo de dormência em X. citri. A entrada de persistência pode explicar, em alguns casos, a reincidência da doença após o tratamento com cobre. Em estudos anteriores já foi demostrado a ocorrência de células persistentes em Xylella fastidiosa, na presença de antibióticos e de cobre. Atualmente alguns genes envolvidos nesse fenômeno já foram detectados pelos pesquisadores do Centro de Citricultura e pretende-se, em médio prazo, buscar estratégias para impedir a entrada de persistência, evitando assim, uma reinfestação do patógeno após o uso de defensivos agrícolas. Uma revisão recentemente publicada pelo grupo pode ser obtida através do link: https://doi.org/10.3389/fmicb.2018.01099.

Paula Maria Moreira Martins e Alessandra Alves de Souza

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